terça-feira, 14 de outubro de 2014

PRESIDIO CENTRAL DEVE FECHAR 2014 COM 500 PRESOS

ZH 14 de outubro de 2014 | N° 17952

JOSÉ LUÍS COSTA

SEGURANÇA. MAPA CARCERÁRIO

COM ABERTURA DE CADEIAS até dezembro, presídio, que começa hoje a destruição do primeiro de seis prédios, terá sua população reduzida


O Presídio Central de Porto Alegre começa hoje a desaparecer do mapa carcerário gaúcho. A partir das 9h30min, homens e máquinas iniciam a destruição do pavilhão C, o primeiro dos seis prédios da cadeia que serão derrubados. Segundo estimativas do governo do Estado, com a abertura de cadeias até o final do ano, serão geradas vagas a fim de reduzir a população do Central para 500 apenados – atualmente tem 3,7 mil detentos.

As transferências de presos para a Penitenciária Modulada de Montenegro permitiram a derrubada do pavilhão C. Após, será demolido o pavilhão D. Na sequência, está prevista a destruição dos pavilhões A, B, E e F, todos prédios antigos e deteriorados, parte deles erguidos em 1959.

Pelo projeto da Secretaria de Segurança Pública (SSP), ficarão de pé o setor administrativo, a cozinha, reformada recentemente, e os quatro pavilhões mais novos (G, H, I e J) construídos em 2008, com capacidade para 640 presos.

Conforme os planos da SSP, a ideia é transformar o presídio em uma unidade com 1,5 mil vagas exclusivas para abrigar presos provisórios (sem condenação). Para isso, serão erguidos novos prédios no lugar dos pavilhões que serão derrubados.

Ontem, o governador Tarso Genro esteve no Presídio Central e conheceu detalhes do projeto de demolição do pavilhão C, acompanhado de secretários, de autoridades do Ministério da Justiça, do Tribunal de Justiça do Estado e do Ministério Público gaúcho.

Após percorrer corredores da cadeia por 20 minutos, Tarso deixou local destacando o que classificou de momento histórico.

– Hoje começa uma nova era no sistema prisional no Estado. Essa masmorra, essa estrutura medieval tem de desaparecer. Devíamos isso à sociedade gaúcha e aos apenados – enfatizou o governador.

– É um marco no país – acrescentou Regina Miki, titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O fato de a demolição do Central começar pelo pavilhão C desagradou a magistrados que fiscalizam as cadeias da Região Metropolitana porque o prédio tem duas galerias consideradas as mais bem conservadas de todo o presídio. Mas, para o governo, a destruição desse pavilhão se tornou necessária para apagar a imagem de “pior presídio do Brasil”. Ao ser questionado sobre a razão de começar a demolição do Central pelo pavilhão C, o secretário Airton Michels, da SSP, respondeu:

– Sempre que se derruba algo, a gente começa pelas beiradas – em referência ao fato do pavilhão C estar localizado em uma das extremidades do pátio da cadeia.

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